<img height="1" width="1" src="https://www.facebook.com/tr?id=1902477713099717&amp;ev=PageView &amp;noscript=1">
Tempo de leitura 2min
07 dez 2020

Sonda espacial japonesa volta à Terra para deixar amostra de asteroide e sai em nova missão

Cientistas da agência espacial japonesa (JAXA) localizaram no sul da Austrália o compartimento de carga arremessado na atmosfera da Terra pela sonda espacial japonesa Hayabusa 2, que, após seis anos no espaço, retorna com uma valiosa amostra de rochas do asteroide Ryugu e se prepara para explorar mais dois corpos celestes.

Segundo os planos, a análise do material pode revelar informações sobre a origem do sistema solar e, com sorte, constatar a presença fora da Terra de aminoácidos,  provável fonte de vida, de acordo com alguns cientistas. Isso porque o asteroide é formado por componentes à base de carbono, base da substância e o átomo que sustenta a vida como a conhecemos.

“As análises dos sensores da Hayabusa 2 enquanto estavam no Ryugu revelaram a presença de hidroxila [o radical -OH da água e outras substâncias] em rochas cristalizadas, o que não significa necessariamente que há água no asteroide”, adiantou Takeshi Oshima, engenheiro da divisão aeroespacial da japonesa NEC e integrante da missão, em fala no evento NEC Visionary Week, na tarde de sexta-feira (04).

Takeshi Oshima explicou que a hidroxila, formada na Terra por uma infinidade de processos físicos, químicos e geológicos, inclusive relacionados à água, foi encontrada nas rochas logo abaixo da superfície. A amostra foi coletada num pouso rápido, método conhecido como touch and go (toca de leve e decola), após a sonda disparar um projétil explosivo, que revolveu o material superficial e entrou para a história como o primeiro bombardeio interestelar da humanidade, mas feito com propósitos científicos.

Além da descoberta de hidroxila, a Hayabusa 2 também identificou, após orbitar o Ryugo por um ano e meio e nele pousar duas vezes, que o asteroide está ficando mais lento, num processo cujos impactos ainda são pouco compreendidos, mas que ao menos os cientistas da Jaxa terão a chance de investigar. Isso porque a Hayabusa 2 vai visitar mais dois asteroides. Após ter soltado o compartimento de carga na atmosfera da Terra no fim de semana, a sonda vai permanecer seis dias em órbita do planeta, realizar uma manobra conhecida como swing-by para adquirir velocidade, e partir em direção ao 1998KY26, asteróide descoberto pelo projeto norte-americano Spacewatch no ano de 1998, conforme indicam seus quatro números iniciais.

A expectativa é que a sonda alcance o corpo celeste em 2026, orbite em torno dele por cerca de um ano e retorne à órbita da Terra. Daqui, a sonda vai se dirigir ao Sol e, em um novo swing-by em julho de 2028, parte para a missão final: o asteroide 2001AV43, que deve ser alcançado em 2031, segundo Oshima.

Descoberto por observadores do Projeto Lincoln, de pesquisa de asteroides próximos da Terra, o 2001AV43 vem intrigando a ciência. Com apenas 30 metros de diâmetro, o volume aproximado de uma casa de três quartos, o diminuto corpo celeste é também o de menor período de rotação já descoberto.

Um dia no 2001AV43 dura apenas dez minutos, o que é uma preocupação. A rapidez da rotação vai representar um desafio extra na localização do corpo celeste e no posicionamento em órbita, mesmo para o avançado sistema de navegação da Hayabusa 2, amplamente melhorado depois dos problemas da primeira versão.

A constituição do asteroide também pode atrapalhar. “[O 2001AV43] pode ser uma pilha de rochas como sugerem as observações, ou um bloco rochoso, como indica a alta rotação [o que poderia ser um problema caso a Jaxa decida pousar a sonda]. Seja como for, será algo nunca visto pela humanidade”, afirmou o engenheiro da NEC.

A Hayabusa 2 é a segunda sonda espacial a pousar num asteróide e voltar para a Terra com amostras. A primeira foi a também japonesa Hayabusa (falcão peregrino em japonês). Em 2005, a sonda pousou no asteroide Itokawa, teve problemas técnicos, foi dada como perdida, mas, contra todas as possibilidades, retornou em julho de 2010, desintegrando-se na atmosfera da Terra.

Felizmente, a preciosa carga de amostras foi recuperada intacta também na Austrália. A análise não encontrou vida, nem aminoácidos, mas identificou rochas que passaram por processos físico-químicos ocorridos no início da formação do sistema solar, sugerindo que o Itokawa se formou na mesma época, cerca de 40 bilhões de anos atrás.

Em 2016, a sonda europeia Rosetta voltou com material coletado no espaço, mas do cometa 67 P. Em outubro último, a NASA, a agência espacial americana, também pousou com sucesso a sonda Osiris-Rex no Bennu, asteróide de base carbônica como o Ryugu. A expectativa era encontrar vida, compostos orgânicos ou pistas sobre a origem do sistema solar, mais prováveis no Bennu que no Ryugu dado seu perfil de radiação. Embora a Osiris-Rex tenha tido sucesso na coleta de material, dias depois de deixar o Bennu rumo à Terra, a Nasa informou que os sedimentos estavam “vazando” no espaço. Felizmente, o problema foi corrigido, e a tampa do compartimento, fechada. 

As amostras do Bennu devem pousar no sul dos Estados Unidos em 2023. Elas serão estudadas em conjunto por japoneses e americanos, assim como as amostras do Ryugu, conforme prevêem os acordos firmados entre as agências espaciais dos dois países.

Este texto é de autoria do jornalista Daniel Medeiros.

Com informações de agências e do NEC Visionary Week.

Crédito imagem: ©Akihiro Ikeshita

Nova call-to-action

Assine aqui!