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04 dez 2020

Fundação de Bill Gates busca inovação para zerar déficit vacinal em países pobres

A Gavi Alliance, iniciativa de imunização da Fundação Bill e Melinda Gates, quer garantir nos próximos cinco anos a vacinação de todas as 80 milhões de crianças nascidas anualmente nos mais de 70 países onde mantém programas de imunização. O megaesforço vacinal conta com o apoio de empresas de tecnologia para o desenvolvimento de soluções que permitam a imunização em grande escala, mesmo em áreas remotas, sem eletricidade e conectividade, a partir de um edital de inovação destinado a financiar os melhores projetos de pesquisa propostos para este fim.

"Desde 2000, a Gavi reduziu em 70% a mortalidade infantil nos países onde atua. Vacinamos 65 milhões de crianças por ano, com 17 tipos de imunizantes. Mas ainda deixamos para trás cerca de 15 milhões, que vivem em regiões de difícil acesso e não recebem nem as vacinas mais básicas. Estamos determinados a não deixar nenhuma delas desprotegida”, disse Anuradha Gupta, CEO da Gavi, em fala no NEC Visionary Week, evento online organizado pela companhia japonesa de mesmo nome. 

A Gavi já tem 21 empresas apoiadas por seu programa de inovação, hoje totalmente focado no desenvolvimento de soluções de vacinação. A organização busca, no entanto, ampliar a cooperação com o setor privado para ter acesso a tecnologias que permitam elevar a escala da imunização, inclusive em antecipação à covid-19, cuja vacinação deve acontecer em proporções sem precedentes na história humana.

No evento da NEC, a organização não-governamental financiada pelo casal formado pelos bilionários Bill e Melinda Gates, donos da Microsoft, apontou, inclusive, algumas de suas necessidades práticas. 

Atualmente a Gavi utiliza uma solução de inteligência artificial para estimar o número de crianças a vacinar numa determinada área com base na presença de sinais de celulares. A solução permite estimar o número de crianças em regiões onde há baixa notificação de nascimentos, como é o caso de muitos países africanos, desde que haja celulares em rede. Em áreas remotas, no entanto, a tecnologia tem acurácia perto de zero.

Anuradha Gupta afirma que as empresas de tecnologia parceiras terão um papel fundamental em encontrar soluções para os desafios da vacinação já realizada pela Gavi. Entre as várias cooperações que sua entidade estabeleceu com o setor privado, a CEO cita como modelo de parceria o entendimento com a NEC e a britânica Simprints para a criação de um sistema biométrico de identificação de pacientes. 

Quando ainda era gestada na Universidade de Cambridge, a Simprints desenvolveu um leitor biométrico de digitais que identifica pacientes de forma prática e é muito útil na constituição do histórico médico e vacinal. A solução, no entanto, tinha dificuldade de ler as digitais de crianças abaixo dos cinco anos, inviabilizando seu uso em programas de vacinação. Foi aí que entrou a NEC, ao criar para o equipamento um algoritmo ajustado capaz de ler as digitais de crianças nessa faixa etária, inclusive de bebês recém-nascidos. 

Após os testes iniciais, a Gavi fechou com as empresas um acordo para viabilizar a produção em escala do scanner, cuja prova de conceito está atualmente em andamento em regiões remotas da Tanzânia e de Bangladesh. 

“A NEC tem um portfólio robusto, com tecnologias que podem superar vários desafios, incluindo os relativos à distribuição de vacinas, alimentos e ao enfrentamento da pandemia de covid-19”, afirmou Nobuhiro Endo, chairman da NEC, em sua fala no fórum digital, sinalizando disposição em estreitar a parceria com a Gavi. 

A vacinação em larga escala, entretanto, é a prioridade da organização de Bill Gates. “Não fazemos projetos piloto, ajudamos governos a implementarem iniciativas de vacinação em grande proporção, a partir da cooperação entre os setores público e privado”, reforça Gupta sobre seus objetivos.

Este texto é de autoria do jornalista Daniel Medeiros.

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